LEED – NEM TÃO VERDE ASSIM

LEED2007 até hoje, muito se alardeou sobre o conceito de sustentabilidade na construção civil. Naquele ano, uma agência do ABN Amro Real, em Cotia, São Paulo, recebeu o primeiro selo Leed (sigla em inglês para Liderança em Energia e Design Ambiental) do país, certificação concedida pelo GBC Brasil (Green Building Council). De fato, de lá para cá, os números comprovam um crescimento expressivo. Mas hoje são apenas 14 construções verdes no país,bem longe das 5.062 dos Estados Unidos e menos da metade das 50 da Índia.
Em 2009, dez projetos receberam o selo verde, sendo que até 2008 o país tinha apenas quatro construções certificadas. O número de empreendimentos em análise também aumentou, de 102 para 162, e agora está em 166. Desse total, 73% estão localizados em São Paulo, 10% no Rio e o restante, distribuído em outros nove estados e no Distrito Federal. Para 2010, a expectativa, audaciosa, é chegar a 300 projetos em processo de certificação.

Segundo o diretor-executivo do GBC Brasil, Nelson Kawakami, as construções
verdes ainda não representam nem 1% do mercado imobiliário brasileiro. No
Rio, são três os empreendimentos certificados: o Ventura Towers, que foi o
primeiro a receber o selo Leed na cidade; o edifício Cidade Nova, ocupado
pela Petrobras, e o Torre Vargas 914, na Avenida Presidente Vargas.
‘Ainda falta informação’  Nos países europeus, a questão da sustentabilidade é uma cultura tão antiga que já está enraizada. Por aqui, ainda estamos engatinhando em relação ao resto do mundo. Muito se fala, mas ainda falta informação. Ainda hoje, o empreendedor preserva a ideia de que investir em construções verdes requer gastos elevados – ressalta Kawakami.

Ao adotar os parâmetros do selo Leed, explica Kawakami, os gastos com oconsumo de energia elétrica e água são reduzidos em 30% e 50%, respectivamente:

  • Se pensarmos no ciclo de 25 anos de vida de um prédio, 80% do custo é de sua operação e 20%, da construção. Se você reduz os custos da operação, como os de energia e água, o empreendedor terá vantagens. A diferença é que no Brasil estamos acostumados a olhar a curto prazo.

Instalado há três anos no país, o Green Building Council Brasil criou um comitê formado por 160 profissionais para tornar o selo 100% aplicável por aqui. Seis itens, conta Kawakami, foram incluídos entre os critérios a serem avaliados:

  • Um deles trata da geração de desperdícios durante a obra. Quando ela é inferior a 10%, o empreendimento é pontuado. Aqui no Brasil, como não existe cultura de otimização da construção, a taxa passa de 25%.

Os prédios residenciais, em particular, ganham pontos ao instalarem medidores individuais de água e ao usarem a energia solar para aquecê-la,ressalta o diretor-executivo do GBC.

  • Não há dúvidas de que quando a medição passa a ser por unidade, o morador reduz o desperdício. E o resultado é um consumo 20% menor.

Por aqui, também é considerado, para análise da sustentabilidade, o uso de materiais de construção que possam ser reaproveitados no futuro, além do cumprimento do que é estabelecido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e das normas referentes a acessibilidade. O relatório de impacto ambiental também ganhou novas exigências técnicas, que incluem geração de ruído, contaminação do solo e da água, alteração no tráfego e emissões de gás carbônico, entre outras.

Investimentos em educação também fazem parte do planejamento estratégico do GBC Brasil. Segundo Kawakami, além dos cursos rápidos e das palestras promovidas pelo órgão, três programas de pós-graduação em construção sustentável já estão em andamento no Rio. E a meta, diz, é terminar o ano com um total de 20 cursos abertos em todo o país. Hoje, há 68 profissionais especializados no selo Leed, metade deles no estado de São Paulo.

Primeiro empreendimento carioca a receber o selo Leed, em 2008, a primeira das duas torres do Ventura Corporate, no Centro, atingiu uma economia de 38,7% no consumo de água. Durante a construção, 41% de todo material empregado era de origem reciclada e 66% da madeira utilizada era certificada.

Para Luiz Henrique Ceotto, diretor de Design & Construção da incorporadora americana Tishman Speyer, parceira da Camargo Corrêa no projeto, investir em sustentabilidade não é só uma questão ética, mas também econômica.

  • A água e a energia são as principais commodities do mundo moderno. Estima-se que, no futuro, o custo de ambos terá um aumento substancial. Ou seja, investir em sustentabilidade não será apenas uma mera questão de consciência ecológica – diz Ceotto.

Ainda segundo o diretor da incorporadora, os “dois lados da moeda” – o que investe no empreen  dimento e o que, no futuro, vai administrá-lo – precisam atuar em conjunto para que o crescimento de construções verdes realmente venha a deslanchar no país:

  • Os benefícios vão para quem opera o prédio e não para quem investe. Por isso, é preciso que haja uma consciência de ambos.

, apesar de ainda representarem uma parcela muito pequena do mercado imobiliário nacional, as construções certificadas, destaca o diretor da
Tishman Speyer, atuam como fomentadores de novas tecnologias:

  • Esses empreendimcasa leedentos ajudam na formação de uma mão de obra especializada.

COMO CONSTRUIR RESPEITANDO A NATUREZA

LIXO: Um empreendleed-projetos de casasimento ecologicamente sustentável deve implantar uma
política de reciclagem, com separação, armazenagem e coleta de lixo.

ESCOLHA DO TERRENO: A agressão ao meio ambiente é menor se o imóvel for
construído em áreas já consolidadas, ou seja, com boa infraestrutura básica.

MATERIAIS: Uma obra deve utilizar tintas, colas e vernizes com baixa
emissão de compostos orgânicos voláteis.

CONSUMO DE ÁGUA: Implantação de medidas de consumo racional são
essenciais, como torneiras e válvulas de descargas eficientes e medidores
individuais.

ENERGIA: Contam pontos o uso de energias renováveis como a eólica e a solar;
e a compra de equipamentos econômicos como, por exemplo, lâmpadas e
eletrodomésticos com o selo Procel de economia de energia.

MADEIRA: A opção deve ser feita pela madeira certificada (que é produzida
com baixo impacto ambiental).

Construtoras e imobiliárias investem em iniciativas e ‘selos alternativos’

Enquanto o selo Leed, concedido pelo Green Building Council (GBC) Brasil,
ainda é uma realidade para poucos empreendimentos, construtoras e até
imobiliárias investem em selos “alternativos” e iniciativas sustentáveis
para tornar mais verde o dia a dia em condomínios e canteiros de obras.

É o caso da construtora Calçada, que aplica alguns conceitos ecologicamente
corretos em seus empreendimentos residenciais e comerciais, como sistemas de
reaproveitamento de águas pluviais e instalação de hidrômetros individuais.

  • Os resíduos das obras, por exemplo, são reciclados e vendidos. Com essa
    renda, compramos cestas básicas para os operários. É um ato sustentável que
    estimula a conscientização – destaca Bruno Oliveira, gestor de Marketing da
    Calçada.

Iniciativas ajudam a baratear a taxa de condomínio

A administradora Protel, por sua vez, participa da implantação de sistemas
sustentáveis nos condomínios geridos por ela, entre eles, coleta seletiva de
lixo e reaproveitamento da água já utilizada e da chuva. E para despertar o
interesse dos moradores, são realizadas palestras.

  • De imediato, os benefícios são financeiros. A verba arrecadada com a venda
    de produtos recicláveis, por exemplo, é abatida da despesa ordinária do
    prédio, resultando numa taxa de condomínio menor. Em segundo plano, e não
    menos importante, está a satisfação pessoal dos condôminos, que ajudam a
    retirar plásticos, vidros e papelões do meio ambiente – diz Alfredo Lopes,
    diretor da Protel e da construtora Santa Isabel.

Tubulações especiais para receber óleo de cozinha

E ainda este ano, conta, uma outra iniciativa sairá do papel. Os quatro
prédios do empreendimento Barra Sunday terão, ao lado das lixeiras dos
corredores, tubulações especiais para o descarte de óleo de cozinha usado.
Depois de armazenado, ele será coletado por uma empresa de reciclagem, em
troca de material de limpeza para o condomínio.

Em Niterói, a construtora e incorporadora Pinheiro Pereira recebeu o Selo
Verde, criado numa parceria entre a Associação de Dirigentes de Empresas do
Mercado Imobiliário (Ademi), a Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) e a
Secretaria municipal de Meio Ambiente.

O selo é concedido a empresas que dão um destino adequado aos resíduos
gerados durante a construção. Eles devem ser separados ainda no canteiro de
obras, de modo que parte do material seja reaproveitado.

  • Colocamos em prática a reciclagem do material da obra e normatizamos a
    coleta de resíduos. Realizamos ainda palestras e treinamentos, pois são
    ações que envolvem todos os funcionários. Hoje, reciclar se tornou um hábito
    dentro da construtora. De copos de plástico a restos de madeira – diz o
    engenheiro da Pinheiro Pereira, Guilherme Arueira.

Já a construtora e incorporadora Even divulgou recentemente seu primeiro
relatório anual de sustentabilidade, baseado em normas internacionais. Nele,
a empresa detalha as suas ações de responsabilidade socioambiental:

  • O documento representa o comprometimento da Even com a diminuição dos
    impactos gerados por suas atividades – diz o diretor-geral da empresa no
    Rio, Claudio Hermolin
    Matéria-prima encontrada no meio ambiente
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